quinta-feira, 22 de julho de 2010

Questão 1 - Prova Escrita de Noções de Economia (Cespe - IRBr 2010)

Na época do Mercantilismo, quando a troca de bens por metais tornou-se cultura em grandes países, as sociedades começaram a considerar a importância da comercialização, a partir da ideia de que para que um queira comprar, o outro precisa, necessariamente, querer vender. Para os mercantilistas, vender era fundamental, mas, por outro lado, comprar, ou importar, significava perder ouro e prata. Isso caracterizou o mercantilismo como uma forma protecionista de comércio, que valorizava apenas as vendas, as exportações, e a consequente entrada de metais no país.
As teorias clássicas do comércio internacional dividem-se entre Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill. Para Adam Smith, os países deveriam comercializar livremente, baseados em suas vantagens absolutas. Ou seja, cada país é bom em determinada produção e ruim na produção de um outro bem. Isso torna efetiva a realização do livre comércio, de uma forma natural, através da qual um país pode se dedicar àquilo que produz bem - e que outros países não produzem da mesma forma e, por isso, vão querer adquirir - e comprar de outros países aquilo que não produz com grande eficiência, valorizando, assim, suas horas de trabalho, sua mão-de-obra e sua produção.
A teoria das vantagens comparativas, de David Ricardo, baseia-se, principalmente, naquilo que determinado país não produz bem. Tudo começa com uma comparação entre dois países, que pode ser caracterizada pelo tempo de produção de determinado produto. Sempre um país vai ser mais eficiente que o outro na produção de um determinado bem, mesmo que um outro tenha vantagem absoluta total ou sempre esteja em desvantagem. Ao compararmos as possibilidades de produção, sempre vamos concluir que o comércio é vantajoso. Enquanto um país se dedica àquilo que produz melhor, um outro país produzirá também algo pelo qual se destaque em relação aos outros. Isso permite que todas as nações possam fazer parte do comércio internacional e atuar, efetivamente, na troca de bens - na exportação daquilo que produzem melhor e na importação daquilo que não produzem com grande eficiência ou até mesmo sem nenhuma eficiência.
John Stuart Mill também elaborou uma teoria clássica do comércio internacional, que substituía a quantidade produzida em um país, pela demanda de cada um e a produção realizada em um mesmo número de horas. Stuart Mill formulou a Teoria da Demanda Recíproca, que determinava a possibilidade dos países de realizar trocas, baseados nas alterações de suas demandas internas. Ao desafiar a teoria das vantagens comparativas de Ricardo, Stuart Mill criou novas formas de troca e novas possibilidades de comércio entre as nações, já que não mais a produção humana em determinado tempo seria fundamental, mas sim quanto seria produzido em determinado período, ao se comparar dois países.

(continua)

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