Encerram-se hoje as eleições municipais de 2012 pelo Brasil. Não participo destas eleições, pois sou brasiliense, mantive meu título de eleitor de lá e em Brasília não há eleições para Prefeitos e Vereadores, apenas eleições presidenciais e para o governo do Distrito Federal. De forma bem categórica, costumo dizer que acho isso ótimo, já que, de fato, o país manda representantes demais para aquela cidade, então, definitivamente, não precisamos de mais governantes por lá.
Não pretendo, nesta argumentação, tratar das eleições em si, dos vencedores, dos escolhidos, da forma como os Estados finalizaram sua participação ou até mesmo falar sobre quais partidos se destacaram na corrida eleitoral deste ano. Pretendo apenas, mais uma vez, retratar minha visão política, particular e imparcial, em torno do que pude ver e presenciar, principalmente através dos debates políticos televisivos, protagonizados por especialistas políticos, cientistas, representantes acadêmicos e suas mais variadas teorias voltadas ao resultado final da escolha eleitoral da população, neste ano.
Uma das coisas que pude perceber, mais uma vez, e que sempre critico por aqui, é a forma como a mídia, e até mesmo os estudiosos do tema, retratam a Política como algo afastado da realidade humana. O que mais se vê nos debates eleitorais são jornalistas e cientistas analisando o assunto como se Política fosse um assunto próprio para os "políticos", que são vistos hoje como profissionais da roubalheira, da mentira e da esperteza, a fim de conquistar as massas, em busca de sua satisfação pessoal.
Mas tudo isso retrata apenas o que o assunto se tornou para os brasileiros. Diante de tantas constatações, de tantas confirmações das ações criminosas, sobretudo da informação repassada pelos meios midiáticos, e de todos os julgamentos que presenciamos nos últimos tempos, realmente não há como acreditar ou esperar que algo mude para melhor... ou que existam mentes dispostas a não se perder e não se influenciar negativamente junto a este meio.
No entanto, discutir e interpretar a ação política dos governantes como algo que se distancia cada vez mais da sociedade é pecar e ignorar um tema de tamanha importância, que deve fazer parte da realidade social, do dia-a-dia de uma população, e que deve ter total participação e influência no desenvolvimento de um Estado nacional. Ou seja, nós como cidadãos, vivendo em sociedade, precisamos entender que a Política está intrínseca à natureza humana e não se deve, não se pode, afastá-la do que nós vivemos ou do que nós somos como seres humanos racionais, naturalmente políticos. E isso começa nos municípios, nas cidades, estendendo-se aos estados e à escolha presidencial.
Percebem-se nestas eleições, mais uma vez, o afastamento dos temas políticos por parte da sociedade em geral, a ausência de interesse e de uma análise mais profunda, além de, muitas vezes, a crítica voltada aos votos brancos e nulos, estes que deveriam ser considerados válidos, uma vez que significam também a livre escolha por nenhum dos candidatos que concorrem a disputa eleitoral. O voto obrigatório deve caracterizar-se pela escolha definida e, ainda, pela negação à escolha, através da anulação do voto. Isso deve ser efetivamente considerado pelos governantes, pelos estudiosos políticos, como também pela mídia. É parte do processo eleitoral.
Além da relevância de quem ganha a disputa eleitoral e, sobretudo, de suas novas ideias e projetos para o benefício da cidade e das pessoas que nela vivem, precisamos considerar o processo eleitoral algo fundamental à nossa realidade social. A escolha do voto é obrigatória, mas ela pode ser analisada, interpretada e até mesmo investigada. E esta escolha é feita por uma maioria. Devemos acreditar na credibilidade de todo o processo, não temos outra opção. E, acima de tudo, entender que não é uma simples e qualquer escolha, é uma escolha com efeitos, com resultados. Criticar um governo após a sua escolha é perda de tempo. É preciso agir politicamente agora e sempre. Somos todos seres políticos.
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