quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rio+20

Hoje começou, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas Rio+20, que reúne 94 chefes de Estado para novas discussões e um novo acordo sobre o desenvolvimento sustentável mundial. A cúpula atual marca os 20 anos da Eco-92, que, apesar de todas as boas intenções e dos grandes investimentos, não conseguiu realizar grandes feitos.

De forma bem realista, o tema Desenvolvimento Sustentável já tornou-se quase que absolutamente pejorativo e comercial. As discussões atuais a respeito do assunto já se mostram como discursos políticos falhos, sem grande influência e, principalmente, sem grandes realizações efetivas. Apesar da questão ambiental ser a cada dia mais real e mais perceptível, do ponto de vista das condições climáticas e dos efeitos gerados por elas - como os refugiados climáticos decorrentes dos terremotos, das tsunamis etc. -, os grandes países, grandes produtores, grandes poluidores, junto aos demais países em constante crescimento, não demonstram, de fato, interesse em promover um bem-estar ambiental que possa prejudicar sua realidade econômica e tudo o que provêm dela.   

Dentro deste contexto, cabe relembrar o Protocolo de Kyoto, que acabou sendo um outro passo falho da Organização das Nações Unidas (ONU), no que trata das questões do Meio Ambiente. A maior potência do mundo (EUA) não aderiu às metas estabelecidas pelo tratado, em 1997, e, muito provavelmente, não terá participação na Conferência atual do Rio de Janeiro. Durante todos esses anos, a ONU vem tentando firmar um documento que satisfaça as necessidades ambientais e que não vá contra a realidade buscada pelos Estados nacionais em busca de desenvolvimento econômico, mas isso, ainda hoje, é como uma utopia idealista e não parece que teremos alguma novidade efetiva este ano.  

O novo documento apresenta metas para redução da produção e do consumo insustentável, mas não discute as formas para alcançar o objetivo, considerado urgente. Devido a isso, além de criticado pelo próprios membros da ONU, tem sido considerado ineficaz, pelos especialistas e pela mídia especializada, por não demonstrar persuasão e por não implementar formas diferenciadas das já estipuladas pelos acordos anteriores - sempre ineficazes ou ineficientes -, para estimular o desenvolvimento consciente.

A questão é: a ONU será capaz de alcançar um acordo eficaz? O Brasil é um país de muito ativismo e engajamento ambiental, lugar no qual é bem possível dar início a um projeto ambiental efetivo. Além da grande consciência sustentável, nosso histórico de neutralidade permite um diálogo aberto com as outras nações e favorece as negociações. No entanto, percebe-se cada vez mais que as conferências da ONU se tornaram meros encontros políticos, onde as discussões não levam a lugar nenhum, o que demonstra, cada vez mais, a fragilidade e a diminuição da legitimidade e da credibilidade da organização, diante da comunidade internacional.   

A problemática do meio ambiente é uma realidade, mas isso não significa que as condições da natureza serão totalmente alteradas pelas ações humanas ou que o planeta Terra esteja chegando ao fim. É preciso ser racional. Hoje nós alcançamos e temos acesso às informações, de forma rápida e integrada, e podemos entender as manifestações da natureza. Isso significa que é possível interpretar, de forma precisa, as condições climáticas, as mudanças rochosas, a composição do ar etc. Ou seja, trata-se de utilizar estes recursos para alcançar desenvolvimento econômico com qualidade de vida. E é nisso que deve se basear o desenvolvimento sustentável: cuidar para viver melhor. E não transformar o tema em mais um discurso político tendencioso, como os líderes mundiais têm feito nos últimos anos.

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