quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Grécia (ou a União Européia?) tem salvação?

Apesar de estar há dois meses exercendo atividades profissionais completamente dissociadas das Relações Internacionais, não tenho como me dispersar em relação aos acontecimentos do mundo e às questões que envolvem minha formação acadêmica adorável. Algo que tem tomado, efetivamente, a agenda midiática internacional é a crise na Grécia e, consequentemente, o desfalque político, econômico e social que isso vem causando à União Européia como um todo. É muito fácil falar que a Grécia está passando por uma crise financeira sem precedentes, devido ao déficit público e à dívida externa do país. Mas os Estados Unidos protagonizaram uma das maiores crises da história da humanidade, no final do ano passado, que os levou a uma recessão vista, anteriormente, apenas na quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929. E sim, os EUA são o país mais rico do planeta, a maior potência do mundo, e também são os maiores devedores do mundo. A dívida externa dos EUA é altíssima e isso não os impossibilitou de superar o furacão da crise de 2009. O que acontece com a Grécia, e que tem impressionado a opinião pública e os especialistas, é o enfraquecimento da estrutura européia como bloco econômico e regional. Os países europeus têm se manifestado de forma contraditória diante da problemática grega e têm adotado uma postura de indiferença, cuja intenção parece ser a de manter uma certa distância dos conflitos alheios. Postura que descaracteriza um organismo internacional formado pela junção dos países de um mesmo continente, em busca de fortalecimento e de uma consolidação internacional comum. De forma bem realista, quase hobbesiana ou "morgenthauliana", a Grécia não interessa tanto à UE, não economicamente. Mas a União Européia é um bloco econômico reconhecido pela comunidade internacional. Sua história, sua cultura, sua moeda fortalecida, que tornam todos aqueles países um grande e único ator internacional, devem unificar ainda mais as sociedades envolvidas por problemas e soluções conjuntas. Tudo isso não impede que os países sejam independentes e enfrentem situações particulares de crises e conflitos - ou mesmo que se separem do bloco econômico -, o que não significa uma provável dissolução ou o fim da UE. Com o reconhecimento e a consolidação conquistados, a União Européia pode se manter intacta e, de fato, unida. E assim, a Grécia poderá sair do caos em que se encontra nos últimos dias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário