sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A corrupção está em cada um de nós.

É normal, ao sermos questionados sobre corrupção, condenarmos os "políticos" e associarmos a palavra às pessoas públicas que estão no poder. No entanto, é preciso interpretar a corrupção a partir de cada um de nós e entender como ela pode chegar a um nível público, no qual as pessoas são julgadas e condenadas por atos de roubo e enganação, como se todos nós, a sociedade como um todo, não fizéssemos parte do que nós brasileiros construímos como corrupção. Apesar de não aceitarmos isso, a corrupção está nas pequenas ações da sociedade brasileira, como no troco a mais que nós não devolvemos ou na corrida por um lugar na fila do transplante de órgão para um familiar, como se os outros precisassem menos que nós. Está nos simples gestos que muitas vezes nos parecem bobos e que nos caracterizam como o "brasileiro esperto" ou que simplesmente demonstram o nosso "jeitinho brasileiro". Mas daí a gente pensa: "se eu não for esperto, outra pessoa vai ser, e outra pessoa vai conseguir o que eu quero ou o que eu preciso!". E assim, o brasileiro se torna obrigado a ser egoísta, a ser corrupto, porque está no que nós somos culturalmente, no que nós construímos para a sociedade brasileira, e que ignoramos quando parece inútil a nossa percepção e a necessidade de que as pequenas "espertezas" devam ser quebradas, para que certa pessoa não vire notícia nos telejornais por ter sido honesta, por entregar um dinheiro que encontrou ou por devolver um bem material perdido. O Brasil tem uma carga tributária equivalente a dos países do Leste Europeu, que possuem os maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. Entretanto, nesses países, o pagamento dos altos impostos pela população é refletido em ótimas condições de saúde, educação, moradia e oportunidades sociais como um todo. A corrupção brasileira, também uma das maiores do mundo, impede que algo de bom seja feito. Ela está aí, aqui, em cada ação de esperteza que nós nos acostumamos a realizar e que não enxergamos como corruptas porque é normal, é do nosso cotidiano. Muito fácil julgar os "políticos", não?

Daniela

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