quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Árabes e Não Árabes

Sinceramente, odeio quando as pessoas falam "árabe" se referindo a nacionalidade. Sim, realmente quem nasce na Arábia Saudita é árabe. Mas o árabe, em si, é um idioma, como o inglês, o espanhol, o francês ou o italiano. Um homem nascido no Afeganistão não é um árabe. Ele é um afegão, muçulmano (provavelmente), que fala árabe. Da mesma forma que um homem nascido em Israel é israelense, provavelmente judeu e fala hebraico. O árabe não é nem mesmo uma etnia, religião ou ideologia. Nós brasileiros - como fazem também outras populações ocidentais - temos esse péssimo hábito de adaptar o idioma árabe a tudo que tenha origem no Oriente Médio. Mas além do árabe, há no Oriente Médio idiomas como o persa (árabe antigo), falado no Irã, o hebraico, o turco, o sírio, o aramaico (dialeto religioso judeu), entre outros. Assim, o árabe não pode, nem de longe, caracterizar ou descrever a cultura geral do Oriente Médio. Seria ideal que nós, e grande parte do mundo ocidental, tivéssemos noção disso... mas nós não temos. E aí está mais uma parte da realidade internacional, das relações entre os países, que em geral desconhecemos. Falar árabe, seguir o Islã, usar burcas e jóias douradas não são limitações "árabes". São curiosidades orientais, que devemos respeitar e diferenciar de todas as outras possibilidades que encontramos no Oriente Médio. Saber diferenciar o idioma de uma definição equívoca criada sobretudo pela mídia ocidental é papel de todo internacionalista que conhece, admira e, acima de tudo, respeita a realidade do Oriente Médio.

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